sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Ziguezagueando entre a Argentina e Chile


Ziguezagueando entre a Argentina e Chile cortando a cordilheira dos Andes em  duas rotas: a primeira de  Mendoza/ Santiago e a segunda na patagônia de  Puerto Varas/ Bariloche



Passado os festejos de final de ano em Mendoza, arrumamos as malas e embarcamos para o Chile, a primeira parada foi Santiago, curta, mais suficiente para rever a cidade e recordar os bons momentos que tivemos nesta cidade no ano de 2011 quando em companhia dos filhos, genro e noras desfrutamos de uma bela semana incluindo o Réveillon e esticadas até Valparaíso e Vina Del Mar.

O trajeto de Mendoza a Santiago foi de ônibus, um percurso de 6 horas, com uma longa parada nas aduanas da Argentina e Chile. A paisagem maravilhosa onde rochas ígneas que sustentam a cordilheira mostram os efeitos do tectonismo provocado pelo encontro de duas placas, Sulamericana e a Nazca. Fazendo um parêntese no turismo comento que a geologia da região tem toda sua estruturação delineada pela placa sul americana, onde o Brasil encontra-se em sua porção central, chocando com a placa Nazca este movimento provocou e provoca enrugamento da crosta formando a cordilheira dos Andes além de gerar atividades sísmicas e de vulcanismo.




De Santiago a Puerto Montt viajamos de avião numa companhia chilena Sky Air Lines, no percurso a beleza da cordilheira vista de cima. Chegamos a Puerto Montt no final da tarde, pegamos um táxi para chegar ao hotel que ficava em Puerto Varas, um problema que poderia ter sido de maiores proporções foi resolvido no mesmo dia, a Companhia sumiu com nossa bagagem que nos foi entregue, no hotel, por volta das 21:00 horas. No hotel foi só fazer o Check in e cair na rua, mesmo porque a tarde estava maravilhosa, nesta época do ano o sol se faz presente até 21:00 h.






A região de Puerto Montt fica entre o Pacífico e os Andes, exibindo paisagens selvagens que impressionam pela beleza, parques nacionais com uma vegetação exuberante, lagos alimentados por geleiras milenares e vulcões com picos nevados formam uma paisagem que impressiona. 





Puerto Varas fica às margens do lago Llanquihue e ao fundo a imponência do vulcão Osorno com um perfil simétrico e topo congelado durante todo ano, cidade charmosa, aconchegante bem pequena, uma cidadezinha do interior, a arquitetura mostra a influencia da colonização alemã. De lá, visitamos Petrouhue onde as águas de degelo do Osorno se comprimem entre rochas vulcânicas  formando uma paisagem maravilhosa, os saltos Petrouhue que está localizado às  margens do lago Todos os Santos ou Esmeraldas, região de florestas exuberantes, montanhas de vegetação nativa densa, samambaias e um conjunto de cachoeira de águas verdes que foi cortada na rocha basáltica formando estreitas corredeiras compondo uma visão fantástica.







No outro  dia fomos a Frutillar, outra cidade às margens do lago Llanquihue, com 5000 habitantes que é outra delícia, passamos a manhã por lá caminhando pela cidade, entrando em lojinhas. De lá pegamos um ônibus da cidade que nos levou até Puerto Montt que é o principal porto do sul do Chile, nesta região encontra-se toda a indústria salmoneira do Chile, caminhamos pela beira da praia passando o porto e um enclavezinho de lojas de artesanato e paramos no local conhecido como "Palafitos de Angelmó", onde está o mercado da cidade e um conjunto de restaurante à beira do canal estreito proporcionado por uma ilhota em frente, retornamos a Puerto Varas no inicio da noite.



Deixamos Puerto Varas com certeza que valeu a pena conhecer e tomamos o rumo de San Carlos de Bariloche. Escolhemos a travessia denominada Cruces Andinos que mistura barcos e ônibus, esta travessia é fantástica e o tempo nos presenteou com um dia maravilhoso.


A primeira etapa da viagem dura cerca de duas horas, feito de ônibus de Puerto Varas até o Petrohue às margens do Lago Esmeraldas, com uma parada nos saltos Petrohue. Um barco faz o percurso entre Petrohue e Peulla em todo o trajeto pode-se observar a imponência do vulcão Osorno, ilhas, fazendas até chegar a Peulla, uma pequena comunidade chilena com uma população de 120 pessoas, militares e trabalhadores dos hotéis, por lá almoçamos e seguimos, agora de ônibus, rumo argentina, até Puerto Frias numa estrada de terra em meio de uma vegetação exuberante no seio do Parque Nacional Vicente Pérez Rosales, este percurso leva cerca de uma hora e meia, com algumas paradas para observar a natureza, chama a atenção o Cerro Tronador, a maior das montanhas da região, e a fronteira do Chile e Argentina, a divisa  dos Parques Vicente Pérez Rosales-Chile, com Nahuel Huapi na Argentina.

Em Puerto Frias fica a aduana argentina, mais um carimbo no passaporte e seguimos de barco pelo lago Frias num percurso de apenas 20 minutos em Puerto Bles, mais um pequeno trecho de ônibus até Puerto Alegre, com uma parada numa cafeteria muito charmosa. Em Puerto Alegre toma-se o ultimo catamarã, que corta o lago Nahuel Huapi num percurso de aproximadamente uma hora e dez até Puerto Pañuelo ao lado do hotel Llao Llao, os argentinos chamam “Jal Jal”. Neste trecho chama atenção o verde das águas cristalinas do lago, gaivotas se exibindo ao lado barco e a ilha Sentinela, quando o capitão soa o apito para reverenciar o local onde estão os restos mortais de Perito Moreno, herói argentino que também dão nome ao “glaciar” mais famoso da patagônia. Dai até Bariloche pegamos o ultimo ônibus. Foi um dia inteiro viajando, saímos de Puerto Varas às 08:00h e chegamos no hotel em Bariloche perto da 22:00 h. Mas na verdade as palavras não dão conta de descrever a beleza desta região. 



Em Bariloche ficamos dois dias batendo perna pelas ruas, tomando ônibus circular e conhecendo alguns pontos turísticos como o “Cerro Otto” que no inverno transforma-se numa estação de esqui com sua bela cafeteria giratória, ai vale a pena tomar um chocolate e apreciar a paisagem nos seus 360 graus. Conhecer o museu do chocolate, andar pela praça do centro cívico, onde estão os prédios públicos e museu da Patagônia. Na calle Mitre estão as principais lojas para compras de souvenir, blusões de couro e chocolates.




Grande engano quem pensa que San Carlos de Bariloche só é cidade é atrativa no inverno. A cidade é muito mais do que estação de esqui, tem atração para todos os gostos: das compras aos restaurantes, dos bares e boates, passando pelo cassinos, são lugares maravilhosos cenários românticos com uma paisagem realçada pela beleza das águas do lago Nahuel Huapi, o maior do país. Aprecie sem cansar a bela arquitetura da cidade e se para descontrair desça até a margem do lago Nahuel Huapi e se encante com o verde de suas águas e da  paisagem. Em Bariloche o Restaurante Don Molina merece uma indicação, peça o  cordeiro patagônico regado a um cabernet sauvignon de qualidade. Antes, certamente o “camareiro” irá  lhe apresentar a adega que fica no sub-solo. Ah, ia me esquecendo, bem perto do cassino fica a “Farmácia Brasileira” propriedade da Maria Lucia Rolla, mineira de Belo Horizonte que se casou com um argentino e por lá construiu a sua vida, certamente ela irá oferecer o óleo Rosa Mosqueta, que promete milagres, trouxemos um vidro.




Por fim depois de 13 dias de viagem regada a boa prosa, vinhos fantásticos, comidas para todos os gostos aportamos em Buenos Aires, para uma "nuevo recorrido", já havíamos passados alguns dias na capital argentina em 2009, mais Buenos Aires, apesar, dos portenhos é uma bela cidade com suas avenidas largas, parques e mais parques, livrarias por todas as ruas, cafés maravilhosos etc, para não prolongar.







Indo a Buenos Aires não tem como não conhecer a Casa Rosada, que aos sábados é aberta a visitação, el caminito no bairro da Boca, nas imediações do estádio do Boca Junior, assistir a um show de tango, andar pelas avenidas e admirar a bela arquitetura da cidade. Nesta visita um restaurante merece a indicação trata-se do “La  Cabrera” situado no bairro de Palermo posso garantir que a parrilla deste Bistrô e´ a minha preferida.








 Dois fatos chamaram a atenção nestes dias: primeiro foi quando paramos para pegar uma informação com um funcionário da Prefeitura que não só nos informou com nos levou no veiculo público até a Casa Rosada, no trajeto ele nos contou que era responsável pela manutenção dos jardins da cidade teria vindo de Salta para Buenos Aires. O segundo foi em La boca quando um jovem insistiu para trocarmos a camisa do São Paulo FC que eu estava vestindo por uma do Boca, para aumentar a coleção do rapaz atendi.

























domingo, 9 de fevereiro de 2014

Ano Novo em Mendoza - Argentina

 Mendoza está situada na região centro–oeste da Argentina, aos pés da Cordilheira dos Andes mundialmente conhecida pela produção de vinhos, e, especial os Malbec's,  o que convida para festejar a chegada de um Novo Ano. A  Cordilheira e a imponência do  Aconcágua, pico mais alto das Américas (6.962m), um sistema de irrigação milenar implantado pelos Incas e disseminado pelos espanhóis, a passagem de Charles Darwin pela região em 1835, compuseram o rol de interesse em conhecer a região.



A cidade tem um clima desértico, a pluviometria anual fica em torno de 300 mm/ano, conta com uma densa arborização em suas avenidas, praças e parques, trata-se de espécies exóticas e melhoram consideravelmente o clima na cidade. A vegetação da cidade a exemplo dos vinhedos é irrigada pelas águas do degelo que são reservadas em barragens próximas a Cordilheira e utilizadas ao longo do ano para irrigar a vegetação da cidade e os vinhedos da região. O sistema de irrigação foi implantado pelos espanhóis que chegaram a região em 1561, inspirados no modelo desenvolvidos pelos Incas, a água do degelo é reservada, ainda na montanha e desce em regos (canais) que estão em toda a cidade sempre ao longo dos passeios (calçadas) que levam até as plantas, tais canais são denominados “acéquias”. A foto acima mostra as acéquias, parque San Martin e uma rua no centro da cidade.




 A região oferece várias atividades turísticas. Se engana quem pensa que as atividades em Mendoza se limitam às degustações de vinhos malbec, torrontés ou espumantes. Durante o dia pode dedicar a esportes radicais como rafting, caique, mountain bike, tirolesa, ou esportes não tão radicais como cavalgadas, passeios de bicicleta e caminhada no Parque Provincial Aconcágua e no inverno ainda se pode esquiar na estação de esqui “los penitentes”. À noite, que só chega depois das 21 horas tem-se cassinos, pubs, teatros, wine bar e belos restaurantes.


A nossa incluiu um tour por duas bodegas e uma fábrica de azeite. Assim no dia 30/12/2013 saímos em companhia de um “remis”, é como se chamam os taxis privados na Argentina. A vantagem do remis em relação às excursões em agências de turismo é ter carro e motorista sempre a sua disposição podendo estabelecer seus próprios horários e sempre com a possibilidade de alterar o roteiro na última hora. Depois de algumas consultas, troca de mensagem, com alguns destes remis, ainda do Brasil, acertamos com o Santiago, por três dias, com passeios a Bodegas e a Cordilheira. O Santiago disponibilizou uma caminhonete Amarok e como guia e motorista o Gabriel, para os quais só temos elogios, Gabriel um guia conhecedor da região é um motorista experiente, tranqüilo, simpático e disposto a sair do roteiro quando nos interessava. Vale a pena acertar com esta dupla os passeios, para contato o endereço eletrônico è santipetenatti@hotmail.com. Só para deixar registrado, todas as nossas reservas de degustações e almoços nas bodegas foram efetuadas pelo Santiago, antes de nossa chegada a Mendoza.


 A escolha das bodegas para visita foi feita com antecedência, sempre com pesquisa na internet e ouvindo a opinião do Santiago. Nosso batismo no mundo dos vinhos se iniciou pela Bodega Pulenta Estate. Chegamos por volta das 10 horas da manhã, na recepção nos ofereceram as opções dos vinhos para a degustação e em seguida a guia Vitória nos levou a conhecer o mundo dos vinhos, passando pelos vinhedos, onde a sombra de uma Oliveira, a primeira degustação, com um vinho Cabernet Sauvignon Blanco. Entramos na área de produção dos vinhos e de estocagem dos barris onde os vinhos amadurecem; e no final, ocorre a aguardada degustação dos vinhos da casa, sentamos numa cava ao lado de tonéis e degustamos quatro vinhos, passando por malbec, cabernet franc, cabernet sauvignon tinto e um varietal no final. A degustação foi marcada pelo Cabernet Franc da Pulenta, muito bom. A visita termina na loja da bodega de onde levei “una Botelha de Chardonay” que viemos a tomá-lo em Santiago. 

Seguindo a programação do dia passamos numa fabrica de azeite, conhecemos o processo de extração do azeite da fruta e chegamos a uma sala de degustação de azeites, puros, aromatizados, pastas de azeitona além de cremes para pele, sabonetes etc.



A tarde como companhia seguimos para a Bodega Belasco de Baquedano, onde após um tour pelo processo de fabricação e envelhecimento de vinhos e por uma sala de aromas onde se pode sentir aromas que os enólogos descrevem ao degustar um vinho. Tivemos um almoço fantástico, onde pratos diferentes são harmonizados com vinhos também diferentes (rose, branco, dois tintos e no final um vinho licoroso, tipo vinho do porto que a vinícola produz).

Nesta altura do dia o teor alcoólico já estava alto e o cochilo veio no caminho de volta até o hotel, um descanso e mais uma volta pelo centro da cidade, depois cama, pois o dia seguinte prometia, seria nosso contato com geodiversidade andina.




O passeio pela alta Montanha é indescritível e fizemos por duas vezes: a primeira com o guia indo até a base do Aconcágua, passando por Uspallata, Ponte Inca, Estação de esqui los penitentes, passo da libertação e reservatório Potrerillos. Depois viajamos de ônibus para Santiago, outro passeio fantástico, são seis horas num ônibus, confortável, observando a paisagem da cordilheira. O que mais impressiona no lado chileno é uma sequencia de 38 curvas onde forma a região denominada “los caracoles”.
Bom, em Mendoza passamos o final de ano, depois de muito procurar encontramos o "Sofia" um restaurante que promoveu uma bela festa regada a vinhos, espumantes e uma boa comida além de uma musica bem animada. Nem tudo pode ser perfeito tivemos que ouvir Michel Telo e Gustavo Lima fazê o que? 


próximo post vai retratar a patagônia chilena

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Moqueca de Lagostim - Uma viagem pelo Leste de Minas






 Numa mesa de boteco a prosa, regada a feijoada, cerveja e cachaça e amigos sempre surge boas ideias. Neste dia o amigo Floriano Costa, narrou uma de suas aventuras, esteve em Resplendor, cidade do leste mineiro, numa viagem de trem para saborear uma bela moqueca de lagostim, pescado no rio Doce, no restaurante do Gilmar. A partir deste dia, iniciei o planejamento de refazer esta viagem, no primeiro momento o próprio Floriano sugeriu que fôssemos até Aimorés, pois tinha a informação de que lá a moqueca era mais caprichada. Descobri o restaurante Canto da Fia, entrei em contato e confirmei que a moqueca de lagosta está cardápio, mais é bom reservar, pois este crustáceo está rareando na região.

Fazendo um parêntese na história, uma rápida pesquisa pela internet veio informações sobre a lagosta de água doce, como é conhecida no leste de Minas Gerais, tem a casca alaranjada depois de cozida, carne é  branca e o gosto muito parecido com a lagosta do mar. No entanto, não são aparentadas pertencem a famílias distintas. A lagosta de água doce é da família Palaemonidae e da espécie Macrobrachium carcinus e a do mar, da família Palinuridae, espécies Panulirus argus e P. laevicauda, mais, depois de ter apreciar o prato posso afirmar, confesso que não percebi diferença no sabor.

De posse das informações comecei montar o programa, convida um aqui, outro acolá, nas mesas de buteko, depois da cerveja muitos se interessam, passa os efeitos do álcool há desistência, afinal 24 horas de viagem no bate e volta, não é fácil, só o espirito da aventura segura o animo, por fim fechamos a data, dia 19 de outubro, definimos por Aimorés”, e os companheiros de viagem só cabras pau pra toda obra: Ricardo e Hilda, Meu amor, e o amigo Floriano que veio se juntar ao grupo em Aimorés, Ricardo ainda no ultimo dia tentou sair mas ai, já era tarde.

No sábado, 19 de outubro embarcamos na praça da estação às 07h30min, o trem é o  Vitória – Minas, diga-se por sinal a única ferrovia que mantém um trem de passageiro diário no Brasil de hoje, sempre pontual, no seu ritmo cadenciado de viagem. A cada estação uma rápida parada, dois, três minutos, o suficiente para embarque e desembarque de passageiros.

Velho maquinista, com seu boné
lembra o povo alegre que vinha cortejar
Maria Fumaça, não canta mais
Para moças, flores, janelas e quinais

Da musica de Milton e Fernando Brandt só o apito em cada curva, hoje os trens são modernos, comparados às antigas “Maria Fumaça”, os vagões confortáveis, poltronas estofadas, ar condicionado, há vagão que funciona como lanchonete, outro como restaurante, vagão exclusivo para portadores de necessidades especiais. O serviço de bordo atende todos os ambientes.  A cada apito anuncia uma curva ou uma estação, onde se observa a fisionomia de alegria de pessoas esperando quem chega ou de tristeza de quem parte, ao lado curiosos que só param para ver o trem e outros fazem deste momento o meio de faturar algum dinheiro, com venda de doces, frutas e outras quinquilharias da região. 

Todos os dias é um vai-e-vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega prá ficar
Tem gente que vai
Prá nunca mais...
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai, quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar
E assim chegar e partir...
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida...
 E no balanço do trem vão desfilando as estações retratando a história de ocupação do leste mineiro: estação “Dois Irmãos”, acesso a Santa Barbara e Barão de Cocais, ao fundo a imponência da serra do Caraça onde se ergueu um Santuário em 1770 e depois, por volta de 1800 é fundado o Colégio por onde nos 1820 a 1835, passaram 1535 alunos. (http://www.santuariodocaraca.com.br).



 Sem muito tempo a trem parte e logo passa por Rio Piracicaba, João Monlevade, Nova Era, Desembargador Drumond, Antônio Dias, Timóteo e chega em Ipatinga por volta do meio dia. 

Depois vamos deixando o vale do aço e entrando numa das regiões mais linda desta parte do estado o Parque estadual do Rio Doce e as estações vão se sucedendo: Intendente Câmara, Ipaba, Belo Oriente, Frederico Sellow, Periquito, Açucena, Pedra Corrida e Governador Valadares. Em Valadares a parada é um pouco maior, lá troca a tripulação e dá tempo aos fumantes matar a vontade, afinal é muito tempo sem um cigarro.




Governador Valadares onde o pico do Ibituruna guarda a cidade

 Com nova tripulação segue a viagem passando por Turumitinga, onde mulheres, meninos e meninas fica na estação oferecendo cocada preta, branca e de maracujá, pé de moleque e manga, a fruta da época. 




Ai vem Galileia, São Tomé do Rio Doce, Conselheiro Pena, Barra do Cuité, Resplendor, Crenaque. Nestas terras vive tribo dos índios Krenak. Povo indígena que habita a margem esquerda do rio Doce a quem os portugueses denominavam Botocudos, de forma pejorativa, em referência aos adornos que usavam nas orelhas e bocas. Os índios Krenak foram os últimos a negociar o processo de pacificação que ocorreu no ano de 1911 e hoje se  presencia o fim da sua cultura e vivem na miséria sem a assistência devida para um povo que já foi o dono da terra.




Por fim após 11:40 h depois de partir de Belo Horizonte chegamos a Aimorés, eram 17: 20 h, a garganta seca e o calor, nos fez apenas parar no hotel, deixar as malas e sair a procura de um Buteko, algumas cervejas um passeio pela cidade de Aimorés, que nos surpreendeu, pela hospitalidade, a limpeza das ruas e a cordialidade do povo da cidade.

Uma pena foi não ter dado tempo de visitar o Instituto Terra que fica no município, para quem não sabe este Instituto foi fundado pelo Fotógrafo Sebastião Salgado e sua esposa Lélia Salgado que a pouco mais de uma década adquiriu uma fazenda de gado e desenvolveu um programa de cunho ambienta e social. Hoje o Instituto Terra já mostra seus frutos com mais de 7000 ha de área recuperada e produção de mais de 4 milhões de mudas de espécies de Mata Atlântica. O projeto é um grande exemplo onde a antiga fazenda de gado, antes completamente degradada, hoje abriga uma floresta rica em diversidade de espécies da flora de Mata Atlântica. A experiência comprova que junto a recuperação do verde, nascentes voltam a jorrar, espécies da fauna brasileira em risco de extinção, voltam a ter um refúgio seguro. (http://www.institutoterra.org).

Depois deste passeio um banho e um taxi que nos levou até o Restaurante Canto da Fia para conhecer a moqueca de lagosta do rio Doce, afinal esse foi o objetivo da viagem ai meus amigos
o prato dispensa comentários,  fantástico a receita, pelo pouco que conversei com o pessoal da cozinha é esta:


Moqueca de Lagosta
Ingredientes para 5 porções

1,5 kg de lagosta-de-água-doce inteira mais ou menos 15 lagostas, sem a cabeça, na verdade achamos pouco, dava para comer mais algumas sem exagero;
5 tomates sem sementes e cortados em cubos;
3 cebolas cortada em cubos;
Urucum para colorir e dar gosto,
coentro fresco que não gostar substituir por salsa,
sal, pimenta e alho a gosto
e farinha de mandioca  para o preparo do pirão.



Modo de fazer

Retire a cabeça e lave a lagosta em água corrente. Tempere a gosto. À parte, faça um refogado de tomate simples. Acrescente o crustáceo e água suficiente para que sobre molho para o pirão. Desligar o fogo depois de poucos minutos de fervura. Finalizar com coentro e servir. Para fazer o pirão, acrescente farinha de mandioca à parte do molho do refogado e misture até dar o ponto e sirva com arroz branco.

Depois do jantar, ainda tomamos duas cervejas num buteko perto do hotel e nos recolhemos lá pelas 2 da madrugada, pois o trem retorna no outro dia passando por Aimorés, exatamente às 10h26min. Chegamos em casa no domingo a noite, cansados sim, mais com certeza que valeu a pena, dá pra repetir?






domingo, 18 de agosto de 2013

Varjão de Minas no Sertão das Gerais - Com uma receita de Pato assado com Serviettenkloss.











No mês de julho de 2013 estava no noroeste de Minas Gerais, no município de Varjão de Minas, cidade pacata que fica às margens da rodovia Pirapatos (Br 354), com uma população em torno de 10.000 habitantes.

Uma cidade de povo hospitaleiro e de boa de prosa, sentados nos bares no final da tarde é possível conhecer um pouco da história e da vida dos moradores, os bares estão distribuídos ao longo da avenida que corta a cidade e no final de tarde torna-se o point principal onde a população faz as caminhadas e butequeia, outras opções nem pensar.

A região faz parte dos sertões mineiros, que Guimarães Rosa já dizia que são vários. Ao mesmo tempo em que concentra municípios extremamente pobres, também apresenta cidades bem desenvolvidas onde a topografia plana facilita a prática de agricultura irrigada. A morfologia da área está assentada sobre rochas arenítica de idade cretácea, além de calcários e metapelitos do Grupo Bambuí. A evolução para o relevo atual passa por períodos onde as condições climáticas e tectônicas foram determinantes. No aspecto tectônico a história do relevo remonta a abertura do Atlântico sul, com a separação dos continentes Americano e Africano, já o clima passa por períodos de extrema aridez, a nível desértico, a períodos úmidos onde as rochas foram sedimentando e compondo o arcabouço geológico da região, sem esquecer que atividades vulcânicas também se fizeram presentes, e são responsáveis pela presença de diamante em toda região.

A evolução do relevo toma a sua forma atual a partir da idade terciária quando um ciclo erosivo impõe extensas superfícies de aplainamento que hoje pode ser observadas na forma de chapadas, serras e planícies fluviais. As rochas cretáceas estão numa posição privilegiadas, de cima das chapadas observam toda a movimentação da região. No fundo do vale o ribeirão Andrade vai serpenteando, sem pressa esculpindo sua calha, se jogando em cachoeiras até chegar ao rio Abaeté, este, mais imponente, recebe as águas claras do Andrade e segue rumo ao rio São Francisco.




Sem dúvida nesta região e seus arredores estão os aquíferos que mantém a vazão dos rios na época de seca, principalmente o rio São Francisco, que já foi denominado rio da integração nacional e que se algum dia os “entendidos” do governo realmente quiserem fazer a transposição das águas do São Francisco, e não apenas ludibriar o sofrido povo nordestino, será necessário atuar fortemente na preservação do ecossistema da região noroeste de Minas Gerais. São estes aquíferos os responsáveis pela manutenção da vazão dos rios durante o período seco do ano hidrológico, com isso criar condições para aumentar a infiltração das águas de chuva no aquífero, é o grande desafio, para isso é preciso conter o desmatamento e por consequência controlar a expansão da agricultura, desenvolvendo técnicas agrícolas menos agressiva ao solo e as águas.  


Outra face da região é seu povo, com um sotaque bem mineiro, assumindo o lado caipira, sem nada de pejorativo, mais sim com seus hábitos tradicionais, de prosa calma e sorriso largo, pessoas que nos fins de tarde circulam pela cidade, param para comer churrasquinho, em churrasqueiras singelas dispostas ao longo da avenida. Na região quando se fala em gastronomia invariavelmente aparecem os derivados de milho, a pamonha que pode ser salgada ou doce, às vezes frita para acompanhar o café ou a refeição, o mingau, este doce, e angu que fica maravilhoso quando acompanha um frango ou galinha. Na galinha sempre aparece o açafrão.

Nesta ultima semana, deparei com uma festa que acontece todos os anos em Andrequicé, que fica a menos de 30 km de Varjão de Minas, Andrequicé, não é a cidade do Manuelzão do Grande Sertão Veredas. A festa é para à padroeira, Nossa Senhora da Abadia. Segundo os moradores, a romaria de Nossa Senhora da Abadia vem de muito tempo onde o santuário recebe milhares de peregrinos que chegam de motos, carros, bicicletas, carros de boi, a cavalo ou mesmo a pé. Não importa a forma como se deslocam, o importante mesmo é chegar em paz, agradecer, pagar as promessas e se divertir. A festa oficialmente é realizada no dia 15 de agosto, mas desde os primeiros dias do mês, o povoado recebe um bom número de romeiros, turistas e vendedores ambulantes, que circulam e movimentam as ruas gerando um impulso no comércio local. No dia 09/08 presenciei uma romaria que saiu de Varjão de Minas para Andrequicé com os romeiros em carros de bois, neste ano tinha mais de 40 carros, são dois dias de romaria, com pouso no meio do caminho, regado com muita fé, comida boa, cerveja gelada e boa prosa.




 É uma terra onde as tradições estão presentes, como narrada por um amigo novo, que conheci neste trabalho. Numa tarde sentou para uma cerveja gelada e junto com ele, a esposa e dois filhos, não tenha dúvida uma família muito agradável, feliz e de boa prosa. No embalo da cerveja, veio a pergunta de como o casal de conheceu? A esposa tomou a narrativa e começou a contar a história, que deixou o Augusto, colega geólogo, perplexo, lógico para os dias de hoje, porém em outros tempos e numa cidade pequena não deve ser incomum.
 Nosso amigo já era Engenheiro, doutor, trabalhava lá pelas bandas de São Paulo, mais não podia aparecer um feriado, que pegava seu carro é ia para casa dos pais, numa pequena cidade, Lagoa Formosa, que fica perto de Patos de Minas.  Num destes dias ao chegar, conheceu uma menina tímida, com um jeitinho todo matreiro, era filha de um compadre de seus pais que morava na roça e que estava na cidade, pois estava adoentada. Logo o Doutor Engenheiro se engraçou pela menina.

Chegando a noite ele deu uma volta pela cidade, mas a menina não saiu da cabeça, mal rodeou a praça e voltou pra casa. Chegou, sentou na sala ao lado de sua mãe e da menina que assistiam televisão, mas os olhos eram só para a mocinha. A hora que a mãe deu boa noite ele se alvoroçou, porém o banho de água fria veio antes do pensamentos tomar conta da sala, mal sua mãe se levantou a menina saiu de fininho e se recolheu.

A mãe do rapaz percebeu e deu uma de cupido, ligou para o compadre e fez o meio de campo e marcou um almoço na fazenda, menos de um mês o Amigo retornou a cidade e, teve que levar mãe para visitar os compadres. Chegando à fazenda, primeiro veio o café  com pão de queijo, uma volta pelo quintal para apanhar umas frutas e nada da menina aparecer. Chegou a hora do almoço, o cardápio domingueiro das famílias do interior, frango caipira, macarronada, tutu e uma bela salada de alface com tomate. Sentaram todos ao redor da mesa e veio o imprevisto, o Doutor não gosta de frango caipira, da pra acreditar? O homem gosta é de frango de granja... mas fazer o quê? Nesta hora foi melhor o doutor engolir a refeição tomar uma talagada de uma branquinha que apareceu na mesa e criar coragem para pedir em namoro a menina, que estava sentada ao lado da mãe, tímida mais, bem interessada no rapaz.  No fim a história teve um final feliz, o casamento aconteceu, nasceram dois garotos lindos, gêmeos e o casal leva a vida na tranquila cidade do interior. Porém para relaxar a “Patroa” sempre Diz
“Ele me tirou da roça pra trazer para outra roça”

Bom, como sempre deixo uma receita no final da prosa vou deixar nesta página com preparar um pato. Na verdade para melhor traduzir a região iria muito bem uma recita de frango com açafrão, porém esta receita já tem no blog e acompanha o texto de nome dePelos caminhos do sertão Mineiro – Frango com Açafrão” no endereço  http://joaotomate.blogspot.com.br/2011/10/pelos-caminhos-do-sertao-mineiro-frango.html